#PlaylistVRDR: indie, rock e mais por DJ Hopper

Vai um rock meio indie meio eletrônico aí, véi? O DJ Hopper, vanguardista no cenário musical brasiliense, preparou uma playlist especial que une o melhor desses mundos pra Verdurão! Acesse a playlist aqui

 

O Hopper trabalha como músico desde os anos 90 e até andou colado com o pessoal dos Raimundos e OZ. Ele acompanhou o rock florescer e desaparecer aqui em Brasília e já teve a honra de participar de uma das bandas favoritas de Renato Russo. 

 

Hoje, o Hopper está a frente de alguns movimentos da música techno em Brasília, como o 5uinto.  Além de preparar essa playlist massa pra VRDR, ele bateu um papo com a gente sobre a sua carreira como DJ, sua antiga banda Low Dream e o cenário de música eletrônica no DF. 

 

VERDURÃO: Qual a sua história com Brasília? Ela inspira seu trabalho ou sua vida de alguma forma hoje? 

 

HOPPER: Amo Brasília. Cresci aqui e sou apaixonado pela cidade, pela arquitetura, pela forma de viver, pelas ruas, pelos dias e noites… Só não sou muito fã do clima seco e quente desta época do ano. Mas já acostumei também depois de todos esses anos. Por isso sempre me influenciou de todas as formas no meu trabalho musical e jornalístico. Cresci sempre ligado ao que melhor se produzia em termos de rock e outros formatos de música feitos no Brasil.

 

VERDURÃO: Quando e como você decidiu investir na sua carreira com a música? Como Brasília participou dessa trajetória profissional? 

 

HOPPER: Eu criava bandas de rock no colégio no início dos anos 90. Sempre tive uma ligação muito grande com a música, principalmente com o rock e, posteriormente, a eletrônica também. Participei ativamente da construção da segunda onda de rock brasiliense que contou com os Raimundos, a OZ, entre outras bandas locais que se destacaram na época. Éramos todos amigos e andávamos juntos. Fazíamos shows juntos, apesar das diferenças musicais, claro. Isso nem importava no final.

 

VERDURÃO: Nos anos 90, você participou da banda de indie rock brasiliense Low Dream. Como foi esse período da sua profissão? Como a ideia da banda surgiu e se concretizou?

 

HOPPER: A Low Dream foi minha realização pessoal com o indie rock porque isso não existia antes por aqui. Houve uma primeira fase com Legião, Plebe e Capital, mas não havia um som focado no indie rock ainda, com vocais em inglês e francês, soterrados por guitarras encharcadas de fuzz (distorção) e delays (repetições etéreas).  

 

A Low Dream foi a consolidação das minhas várias bandas anteriores de escola. Ela surgiu no início de 1992. Lançamos 2 CDs, participamos de vários projetos, lançamos vários videoclipes elogiados e premiados, que eram muito exibidos na MTV, na época. A banda durou 5 anos e fizemos muitos shows por aqui e pelo Brasil. Ganhamos muita notoriedade também por sermos elogiados pelo Renato Russo como uma de suas bandas prediletas brasileiras.

 

VERDURÃO: Quando a ideia de ser DJ em Brasília apareceu? Como você começou e se estabeleceu nessa nova fase?

 

HOPPER: No final de 1997, por causa de muitos problemas pessoais e de relacionamento com os outros integrantes, resolvi silenciar as nossas guitarras. Eu estava com mais interesse pelo lado eletrônico da música, então queria partir para algo novo por aqui novamente. Resolvi aprender a tocar como DJ para poder tocar em festas e outros lugares os estilos que mais gostava dentro do segmento eletrônico, que eram techno, house, break beat, jungle, drum n’ bass, electro, IDM,  etc.

 

VERDURÃO: Como é o cenário para DJs aqui em Brasília? O que você mais gosta e o que você acrescentaria?

 

HOPPER: Sempre achei esse cenário incrível e diversificado. Talvez só não seja maior que em São Paulo, que é muito grande. Mas acho realmente um lugar muito promissor para música eletrônica. Agora temos mais produtores também, ou seja, artistas que fazem as próprias músicas. Foi um processo natural isso tudo. Temos lugares para fazer as festas e temos um grande público também. O que falta é mais profissionalização da clubs e de artistas. Mas nesse período de pandemia é complicado avaliar isso de fato. Depois disso tudo, a gente tem que avaliar essas coisas novamente.  

 

VERDURÃO: Para você, qual o impacto de movimentos como o 5uinto em Brasília? Quais entregas essas iniciativas fazem para nossa capital?

 

O 5uinto consolidou a música eletrônica na cidade. Foram mais de 11 anos de atividades, trazendo artistas nacionais e internacionais inéditos e incríveis todas as semanas. Aquilo tudo foi a construção de uma cena própria por aqui, que também valorizou muitos os artistas locais. Quase todas as edições eram eventos históricos todas as semanas. Foi um longo período incrível para toda a cena eletrônica. O 5uinto colocou Brasília definitivamente no mapa do cenário nacional de grandes artistas nacionais e internacionais. A partir daquilo tudo, surgiram vários outros projetos que estão se consolidando até hoje no cenário local. 

 

VERDURÃO: O que você levou em consideração na hora de criar essa playlist para a Verdurão? 

 

HOPPER: Criei essa playlist pensando mais nas minhas referências de indie rock mesmo. Mas ficou bem diversificada. Tem uma grande variedade de músicas que passam pelo punk rock, pelos anos 60 e também um pouco de eletrônica mais focado em “bandas” do estilo. Claro que milhares de músicas ficaram de fora e podem aparecer em outra oportunidade. Mas acho que a ideia ficou interessante. Todas essas músicas fizeram parte da minha vida em determinadas épocas e situações. Espero que todos curtam bastante.

 

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