Poeira e batom: conheça a versão delas sobre a construção de Brasília

Quando a gente fala de Brasília, lembramos da capital de Juscelino Kubitschek, de Oscar Niemeyer, de Lúcio Costa. Raramente, falamos das mulheres fundamentais para criar a identidade que temos hoje. 

 

Em 1959, durante a construção de Brasília, as mulheres já somavam 50% da população. Elas eram quase um terço de todos os trabalhadores, segundo o IBGE. 

 

O documentário Poeira e Batom no Planalto Central, de Tânia Fontenele Mourão, Tânia Quaresma e Mônica Gaspar, explora essa realidade e mostra histórias esquecidas de mulheres que vieram para a capital em seu início e acompanharam sua construção. 

 

A partir do depoimento de 50 mulheres pioneiras que chegaram em Brasília entre 1956 e 1960, a equipe de produção se preocupou em trazer uma perspectiva feminina para o surgimento da nova capital, principalmente com Tânia Fontenele, uma das criadoras do Instituto de Pesquisa Aplicada da Mulher (Ipam).

 

  • Por que Poeira e Batom? 

 

 “No início tinha muita poeira. Todo projeto é da cor da terra porque era uma característica muito forte da época, a poeira vermelha, as dificuldades”, explica a autora em entrevista ao portal Metrópoles. Daí veio a primeira parte do título do documentário. A parte do batom é uma representação do perfil que Fontenele observou nas 50 entrevistadas. 

 

“Eram muito femininas, tinham que ser práticas. Muitas falavam que passavam um batom e seguiam para a construção. E daí surgiu o nome. Perfeito para reunir a questão da construção e do jeito feminino”, pontua a autora.  

 

O trabalho conta com a participação de nomes reconhecidos na capital, como Palmerinda Donato, a cineasta Maria Coeli, a pianista Neusa França e Lya Sayão. Mas nomes menos conhecidos de médicas, professoras, comerciantes e dançarinas também estão no documentário. Tudo para reconstruir a participação feminina no início de Brasília. 

 

  • Os relatos 

 

O documentário, que também possui uma versão em livro com o mesmo nome, aborda pontos históricos marcantes até 1964, quando aconteceu o golpe da ditadura militar. A partir de datas marcantes na capital durante esse período, Fontenele e sua equipe levam as entrevistadas a relembrarem suas histórias e compartilharem seus pontos de vista. 

 

É o caso do breve relato da escritora Helena Maria Carvalho, uma das 21.982 mulheres que estavam em Brasília em 1959: 

 

Sou carioca, vim para Brasília recém-casada com o meu marido, que era engenheiro. Fizemos uma viagem memorável, viemos de jipe. Passamos 7 dias dentro do carro porque as estradas não existiam. Nós fomos criando o caminho, derrubando árvores. Quando chegamos em Goiânia, as pessoas não acreditavam que a gente tinha vindo do Rio de Janeiro. Nós chegamos a Brasília e éramos três blocos de lama. Eu, meu marido e o jipe”

 

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