Seis décadas de muita história

Por João Amador, do Histórias de Brasília

 

Os 60 anos da nossa capital trazem muitas histórias para serem contadas. Algumas muito famosas, outras já meio esquecidas e até aquelas que parecem lendas urbanas de tão inusitadas. Selecionamos aqui fatos marcantes de cada década da cidade para relembrarmos um pouco da nossa rica trajetória.

 

Anos 60

A construção do pombal

Jânio Quadros foi o presidente que sucedeu Juscelino Kubitschek, em 1961. Ele nunca escondeu que detestava Brasília e não deu continuidade a nenhuma obra pendente desde a inauguração. O único monumento feito em sua administração foi o pombal da Praça dos Três Poderes, projetado por Oscar Niemeyer a pedido da primeira dama, Eloá Quadros. Ela argumentava que uma praça daquela importância deveria ter pombos, a exemplo de outras praças pelo mundo.

O pombal mede 25 metros e pesa 1,5 tonelada, com uma série de poleiros que se sobrepõem, lembrando um imenso pregador de roupa. Seu real significado jamais foi explicado por Niemeyer. Jânio Quadros  renunciou em agosto de 1961, dando lugar ao vice, João Goulart.

 

Anos 70

Inauguração do ginásio de esportes

Brasília entrou definitivamente na rota dos grandes eventos esportivos e musicais do Brasil com a inauguração do Ginásio de Esportes Presidente Médici, uma grande e moderna arena com 24 mil lugares projetada pelos arquitetos Ícaro de Castro Mello, Eduardo de Castro Mello e Cláudio Cianciarullo. Inspirado em uma tabela de basquete, o ginásio teve seu primeiro evento no dia 21 de abril de 1973, quando recebeu o Campeonato Internacional de Futebol de Salão, seguido pela apresentação da atração infantil Vila Sésamo.

No dia 1o de agosto de 1987, o ginásio foi rebatizado como Nilson Nelson, nome de um famoso repórter esportivo da capital que havia falecido meses antes.

 

Anos 80

Tombamento de Brasília pela Unesco

No dia 7 de dezembro de 1987, Brasília foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Ou seja: um local de tamanha importância que pertence a todos os povos do mundo e não deve ter sua estrutura original alterada. A candidatura candanga para o tombamento foi apresentada pelo governador José Aparecido de Oliveira que, além da singularidade arquitetônica, também chamou a atenção para a especulação imobiliária que ameaçava descaracterizar a cidade.

Brasília é a maior área tombada do planeta, com 112,25 km2, além de ser a única feita no século XX.

 

Anos 90

A primeira Micarecandanga

A primeira Micarecandanga aconteceu em 1992, no Eixão Norte. A axé music estava no auge e atraiu milhares de pessoas para os shows de Daniela Mercury, Asa de Águia e várias atrações regadas a cerveja distribuída em torneiras de carros-pipa para os foliões dos blocos. O evento cresceu rapidamente nos anos seguintes, sendo transferido para a Esplanada dos Ministérios, onde chegou a reuinir um milhão de pessoas. Mas, em 1996, a Arquidiocese de Brasília, incomodada com a festa tão próxima à Catedral, pediu que a folia mudasse de local.

No ano seguinte, a Micarê aconteceu no Eixo Monumental e foi mudando de endereço com o passar do tempo. Após 2005, os organizadores não promoveram mais o evento, que só voltou a acontecer em 2013, no autódromo.

 

Anos 00

Inauguração da Ponte JK

 A Ponte JK foi inaugurada no dia 15 de dezembro de 2002, data do aniversário de Oscar Niemeyer. Obra do arquiteto carioca Alexandre Chan (que também projetou o Piscinão de Ramos, no Rio de Janeiro), tem 1.200metros de extensão e é formada por três arcos metálicos que se intercalam, representando o movimento de uma pedra quicando sobre a água. Orçada inicialmente em R$ 39 milhões, a obra foi concluída por R$ 160 milhões, o que gerou denúncias de superfaturamento.

Em 2003, foi eleita a ponte mais bonita do mundo pela Sociedade de Engenharia do Estado da Pensilvânia, nos EUA. A Ponte JK é a terceira a ligar o Plano Piloto ao Lago Sul.

 

Anos 10

Manifestações dos 20 centavos

O ano de 2013 ficou marcado por manifestações populares que aconteceram em todo o país. A princípio foram contra o aumento das tarifas do transporte público, principalmente os 20 centavos cobrados a mais nos ônibus, metrôs e trens urbanos de São Paulo.  Mas logo os protestos se espalharam pelo Brasil, reunindo centenas de milhares de pessoas contra a corrupção na política, a má qualidade dos serviços públicos, os gastos com a Copa do Mundo e vários outros temas.

Em Brasília, no dia 20 de junho, os manifestantes fizeram uma marcha pacífica pela Esplanada dos Ministérios que reuniu 40 mil pessoas. Mesmo assim, houve tentativas de invasão ao

Congresso Nacional e ao Palácio do Itamaraty, resultando em muito prejuízo material.

 

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